A menina um dia cresce…
terça-feira, 4 de dezembro de 2007
Quando era criança não sei por que, era bem sossegada, num gostava muito de desobedecer… nunca quebrei o braço ou a perna porque nunca me aventurava.Dizem ate que eu gostava de brincar na terra, mas quando via as mãos sujas desistia.
Eu não gostava de ser criança, achava que criança nunca sabia de nada e por isso era impotente. Mas o que eu gostava mesmo era de pensar… é, qual a criança que nunca quis pegar no céu? Eu imaginava que um dia viajaria de avião só pra ter um pouco de nuvem num vidro de maionese. Acreditava que o céu era o chão de Deus, mas será que Deus não se cansa de ficar pra lá e pra cá?…
Quando minha mãe me dizia NÃO, eu a mandava ir embora da minha casa, até que um dia ela saiu e se escondeu, eu fiquei lá esparramada no chão pedindo pra ela voltar. Depois que aprendi a escrever comecei a fase das cartas, explicando a minha fuga; deixava em cima da mesa só pra minha mãe lê, ela nem abria o envelope, me mandava era guardar aquilo tudo. O plano era frustrado pela indiferença de D.Mara. Acho que foi nessa mesma época ate que me apaixonei por um coleguinha da escola, paixão não, eu só queria que ele me desse “tchau” na hora de ir embora.
Ah, outro dia tomei um banho num monte de terra imaginando ser uma piscina bem azul, tudo fica melhor quando a gente consegue imaginar. Desejava ficar um dia em casa sozinha pra fazer um furo que coubesse meu dedo na tela da TV, só pra tocar na Xuxa! Achava batom tão bonito que comi uns dois pra sentir o gosto de Quick de morango que eles, claro, não tinham.
Isso é o que dá pra contar, rapidinho… Tinha outras coisas que eu não me lembro e outras que de tão fantasiosas num vale a pena contar… pelo menos por agora…
A menina cresce, conhece gente diferente, aprende que nunca se sabe de tudo, às vezes é até melhor não saber mesmo, e ser impotente é coisa de ser Humano.
Descobre que no avião não pode por o braço do lado de fora, então não deve ter graça nenhuma viajar de avião! E hoje também dificilmente se encontra maionese no vidro, no saquinho é mais econômico. O céu deixou de ser o chão de Deus pra ser o cobertor do mundo, um cobertor já bem sujinho por sinal. Minha mãe já não me diz nem NÃO nem SIM, por mais que eu a implore, ela só responde que eu sei o que é certo… e isso dá medo! Eu também não posso mais mandá-la embora, porque sou eu que estou fora de casa, com saudade de tudo que deixei lá dentro, portanto agora quando tenho vontade de fugir, era pra lá que eu queria ir.
Descobri que na paixão ninguém suporta ouvir “tchau”. De vez em quando ainda escrevo no chão, mas nada se compara a um banho de terra. A Xuxa não está dentro da TV, quem sabe um dia a gente bate um papo pela digital!(rsrs). Às vezes mal tenho tempo de passar o batom, quanto mais descobrir de que sabor ele é! Ah, sim na hora da compra sempre dizem, mas a memória é seletiva e importa mais é se ficou bom.
Descobri esses dias que não sou mais adolescente, isso é um absurdo!Como dizer agora “eu não sabia”.
O corpo cresce e a imaginação diminui. Adulto que imagina demais é lunático, então não é bom crescer? Não. Ser criança o tempo todo se tornaria chato. Mas porque que crescer é tão difícil?Se fosse fácil não cresceríamos, é isso?
Em todo caso vou pedir a Deus, já que ele foi o único que não mudou muito pra mim, onde quer que ele esteja pra não me deixar ser nem muito criança, nem muito adulta, um pouquinho de cada talvez seja a dose certa… e aí eu vivo e esqueço de ficar tentando descobri quem sou.


